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Negócios com fusões e aquisições vão continuar firmes este ano - São Paulo, BR - sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011 - Genilson Cezar Para o Valor , de São Paulo As perspectivas de fusões e aquisições são favoráveis este ano, a exemplo do que ocorreu em 2010. Na avaliação do Deuts che Bank, os negócios vão continuar numa trajetória positiva. O banco já tem operações sendo executadas em oito setores diferentes da economia brasileira.
"Não é um fenômeno isolado de um determinado setor, como o de petróleo e gás, que foi bastante dinâmico em 2010. Outros setores como agronegócio, infraestrutura, mineração também devem atrair fortes investimentos", diz Jaime Singer, managing director do Deutsche Bank, uma das maiores instituições financeiras do mundo, que atua no país como banco múltiplo, e aparece em nono lugar no ranking da Anbima, em volume de transações de fusões e aquisições, com um montante de R$ 12,7 bilhões.
Para Daniel Darahem, diretor do banco de investimento do JP Morgan, a tendência é que este ano aumentem os negócios de fusões e aquisições, especialmente as que envolvem empresas estrangeiras. E a razão é óbvia, segundo ele: "O Brasil continua sendo o destino preferido pelos investidores, tanto para investimentos estratégicos como os financeiros no mercado de renda variável. As companhias precisam se financiar através de emissão de dívidas e de ações para fazer aquisições e esses mercados continuam muito favoráveis",diz.
Trata-se, portanto, de uma tendência irreversível, aponta Luis Augusto Motta, sócio-diretor da KPMG, empresa de consultoria que realiza pesquisa de fusões e aquisições no Brasil desde 1994. Segundo ele, o total acumulado de transações, desde o início do Plano Real, em 1994, atingiu 6.379 operações em mais de 40 segmentos de atividade econômica. Pelo menos 3.263 envolveram a participação de empresas estrangeiras. Os setores de TI, alimentos, bebidas e fumo, telecomunicações e mídia, instituições financeiras e energia lideram o movimento de fusões e aquisições no país.
Com 143 operações de fusões e compra de empresas e um volume financeiro de R$ 184,8 bilhões, 2010 foi marcado pelo aumento, em valores de negócios, de aquisições de companhias brasileiras por empresas estrangeiras.
De acordo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), do total de negócios de fusões e aquisições, apenas 21,5% (R$ 39,7 bilhões) foram resultados de compras entre empresas brasileiras.
Já o percentual de participação das aquisições de empresas brasileiras por estrangeiras passou de 18,5% em 2009 (R$ 22 bilhões) para 30,8% em 2010 (R$ 56,9 bilhões).
As aquisições de companhias estrangeiras por brasileiras surgem em segundo lugar, com participação de 25,7% e um volume de R$ 47,4 bilhões.
Esses números refletem o que o Brasil representa na economia mundial, avaliam especialistas. "O Brasil é um polo de investimento muito bom, atraente na economia globalizada. E isso se traduz no negócio de compra e vendas de companhias brasileiras", diz Singer.
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O aumento do interesse das empresas estrangeiras pelo Brasil também posicionou bem a atuação do JP Morgan no mercado brasileiro. O banco de investimento foi o terceiro maior em volume de transações em 2010, com R$ 19,8 bilhões. Em 24 transações recentes envolvendo uma parte brasileira, com assessoria da JP Morgan, pelo menos 19 tiveram uma contraparte estrangeira, diz Darahem. "Apesar ser muito forte também em transações locais, a vocação principal do banco é fazer transações envolvendo aquisição de empresas brasileiras com estrangeiras.
O maior negócio com participação da JP Morgan foi a jointventure entre a Shell e a Cosan, uma das principais empresas do setor sucroalcooleiro no Brasil, avaliada em US$ 12 bilhões, com objetivo de reunir sob um mesmo teto operações de açúcar, etanol, distribuição de combustíveis e pesquisa.
"Assessoramos também a fusão entre a TAM e a L A N, a aquisição puramente local da Agre pela PDG R e a l t y, e a compra de 55% do capital da CPM Braxis pela francesa Capgemini", conta Darahem.
Segundo o levantamento da Anbima, o setor de Tecnologia da Informação (TI) e de telecomunicações foi o que mais demandou transações de compra e venda de empresas em 2010, com um percentual de 18% sobre o volume total das operações.
Nesse segmento estão três das dez maiores operações do ano - aquisição da participação da Portugal Telecom na Brasilcel (Vivo) pela Te l e f ô n i c a , a transação envolvendo o grupo Oi e a Portugal Telecom e a Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) da Net, adquiridas pela Embratel, que somaram R$ 31,8 bilhões. "Esse movimento é fruto da expansão da economia brasileira, que tem registrado valores bastante expressivos em termos de PIB", avalia Alberto Kiraly, vice-presidente da Anbima.
 

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